Distrito de Carrapateiras

O distrito de Carrapateira, originalmente denominado Santo Antônio do Carrapateira, foi estabelecido pela Lei nº 2471 de 1926, mas perdeu esse status pelo Decreto Estadual nº 1.156 de 1993. Posteriormente, retornou à condição de distrito de Tauá através da Lei nº 158 de 1936, com uma pequena alteração no nome para Santo Antônio de Carrapateiras, e mais tarde, através do Decreto Estadual nº 448 de 1938, teve seu nome simplificado para Carrapateiras. Confirmou-se como distrito de Tauá pelo Decreto-Lei Estadual nº 1.114 de 1943 e pela Lei Estadual nº 1.153 de 1951. Em 1963, foi elevado à categoria de município pela Lei Estadual nº 6.484, mas retornou à condição de distrito de Tauá em 1965 através da Lei Estadual nº 8.339.

Carrapateiras está localizado no centro-norte de Tauá e faz fronteira com os municípios de Independência, Mombaça e Pedra Branca. É o maior distrito em termos de extensão territorial e é atravessado pelo Rio Carrapateiras, incluindo áreas serranas como São Domingos, Balanças e Logradouro. A colonização da região remonta ao século XVIII, com a chegada de várias famílias, favorecidas pelo sistema de sesmarias. A economia da área é centrada na agropecuária, com ênfase na criação de ovinos e caprinos, favorecida pelo consumo da Faveleira. Além disso, Carrapateiras abriga um rico patrimônio histórico, incluindo inscrições rupestres em várias áreas de seu território e uma antiga barragem conhecida como o Porão de Batalha, bem como o Cruzeiro de São Bento, que é tombado como patrimônio cultural. A Capela da Vila de Santo Antônio do Carrapateira, datada de 1924, é um marco histórico da região.

Distrito de Inhamuns

O distrito de Inhamuns foi originalmente criado pelo Decreto Estadual nº 448 de 1938, sendo inicialmente conhecido como Nova Cruz. Posteriormente, por meio do Decreto-Lei Estadual nº 1114 de 1943, foi confirmado como distrito do município de Tauá, com uma mudança de nome para Inhamuns, e essa designação persiste até hoje. Em 1963, por meio da Lei Estadual nº 6.663, foi elevado à condição de município, com Marruás incorporado como distrito. Entretanto, o status de município foi revogado em 1965 pela Lei Estadual nº 8.339, retornando a ser apenas um distrito de Tauá.

Inhamuns está situado na parte central e leste do município de Tauá, fazendo fronteira com Mombaça e com os distritos de Barra Nova, Carrapateiras, Marruás e a Sede. É atravessado pelo Rio Favelas, afluente do Rio Jaguaribe, que é a principal fonte de água da região, e é cortado pela CE-363, que liga Tauá a Mombaça. A histórica Estrada das Boiadas passava nas proximidades, sendo usada para o transporte de gado, charque e seus derivados para outras regiões. O distrito abrange localidades como Lagoa do Eufrasino, Guaribas, Açudinho, Zacarias e Riacho das Varas, e a construção da Rodovia Tauá-Senador Pompeu em 1942 impulsionou o comércio local, tornando-o um ponto de apoio para a equipe responsável pela obra. A igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, padroeira do distrito, foi erguida graças à iniciativa de José Caçula Pedrosa, realizando sua primeira missa nas primeiras décadas do século XX e celebrando festividades anuais desde 1924.

Distrito de Barra Nova

O distrito de Barra Nova foi criado pelo Decreto Estadual nº 1156 de 1933 e subsequentemente confirmado como distrito por meio do Decreto Estadual nº 448 de 1938, do Decreto-Lei Estadual nº 1.114 de 1943 e da Lei Estadual nº 1153 de 1951. Mais tarde, com a criação do município de Carrapateira pela Lei Estadual nº 6.484 de 1963, Barra Nova foi incorporada como distrito desse município, apenas para retornar posteriormente à condição de distrito de Tauá após a extinção do município de Carrapateira em 1965. Barra Nova está localizada ao norte do município de Tauá, fazendo fronteira com Pedra Branca e Independência, atravessada por importantes rodovias, a BR-020 e a BR-226.

A história do distrito tem raízes no século XVIII, presumivelmente com o colonizador Cel. Francisco de Barros Albuquerque, que fundou a Fazenda Bom Jesus nas terras do médio e alto Carrapateira. Barra Nova possui um valioso patrimônio histórico, incluindo sítios arqueológicos com pinturas rupestres nativas na Várzea Formosa, bem como fazia parte da famosa Estrada das Boiadas, usada para o escoamento de mercadorias do sertão cearense em direção ao Piauí. Suas localidades, como Bom Jesus e Cachoeirinha do Pai Senhor, têm nomes que refletem a influência de eventos e figuras históricas locais.

Distrito de Marrecas

O distrito de Marrecas foi criado por meio da Lei Provincial nº 831 em 1857 e está localizado em uma das áreas pioneiras colonizadas na região dos Inhamuns. As primeiras concessões de sesmarias datam de 1717, e a área viu o estabelecimento do influente Clã dos Carcarás. A Lei Provincial nº 1.733, de 1876, redefiniu as fronteiras do distrito, que incluíam várias localidades.

Uma capela dedicada a Jesus, Maria e José foi construída por volta de 1713 no local, com a autoria atribuída a Márcia de Oliveira ou Manuel Cândido Pereira. Essa igreja é agora um patrimônio tombado e faz parte do calendário de turismo religioso do Ceará, sendo palco de uma das maiores romarias do estado, a Caminhada da Fé. Marrecas também teve um papel significativo na questão da escravidão, abrigando escravos fugitivos e empregando-os como trabalhadores livres, sendo conhecido como o “Carcarásal dos Inhamuns”. Além disso, várias leis ao longo dos anos confirmaram seu status como distrito de Tauá, até que foi elevado à condição de município em 1963, mas, dois anos depois, voltou a ser apenas um distrito.

Distrito de Marruás

Marruás, inicialmente criado como distrito de Tauá em dezembro de 1934, passou por várias alterações administrativas ao longo dos anos. Foi confirmado como distrito por diversos decretos e leis estaduais, incluindo o Decreto-Lei Estadual nº 1.114 em 1943 e a Lei Estadual nº 1.153 em 1951. Posteriormente, tornou-se parte do município de Inhamuns, mas esse status foi revertido em 1965 pela Lei Estadual nº 8.339, retornando, juntamente com Marruás, à condição de distrito de Tauá.

O principal templo católico em Marruás é a Igreja Santa Rita de Cássia, erguida em 1822 em terreno doado por Rita Maria Sobreira. A igreja foi ampliada em 1874 e, desde 2006, é tombada como patrimônio histórico pelo Conselho Municipal de Patrimônio de Tauá. Os festejos em honra a Santa Rita de Cássia, padroeira da igreja, ocorrem em 22 de maio e foram oficialmente reconhecidos como um evento no calendário do estado do Ceará pela Lei n° 16.092 de 2016. Além disso, nas proximidades do Riacho Olho D’Água das Cacimbas, a 28 km de Tauá, encontra-se um sítio arqueológico em Pitombeira, com gravuras rupestres que datam da época dos povos originários que habitavam a região antes da colonização.

Rio Jaguaribe – Marco 0 KM

O rio Jaguaribe desempenha um papel histórico significativo, não apenas no município de Tauá, mas em todo o sertão do Ceará. Suas margens, estendendo-se desde a nascente em Tauá até o ponto de deságue no mar em Aracati, testemunharam a formação de fazendas de gado, que eventualmente evoluíram para vilas e, posteriormente, cidades. Vale ressaltar que o rio Jaguaribe é formado pelos principais cursos de água, que incluem os rios Carrapateiras, Favelas e o rio Trici, contrariando a concepção equivocada de que seja apenas resultado da confluência do Trici e seus afluentes. A partir da localidade conhecida como Barra da Sociedade, o rio Jaguaribe é considerado seu curso principal. Em Tauá, o rio Jaguaribe recebe contribuições pela margem direita, notadamente do rio Puiú.

O rio Jaguaribe, historicamente, foi fundamental na formação e desenvolvimento das comunidades ao longo de suas margens, representando uma fonte de sustento e desenvolvimento econômico, ao mesmo tempo em que contribui para a diversidade geográfica da região. Além disso, a correta compreensão de sua formação, a partir de múltiplos afluentes, é crucial para uma apreciação mais precisa desse recurso natural.

Açude Favela

A barragem do Açude Favelas encontra-se localizada no município de Tauá, a uma distância aproximada de 320 km de Fortaleza e 23 km da sede do município. Sua acessibilidade é garantida através da rodovia estadual CE-160 (Tauá-Mombaça). Essa barragem represa o riacho Favelas, que é um afluente da margem esquerda do rio Jaguaribe, formando um lago que representa uma importante fonte de recursos hídricos. Esse recurso é utilizado para manter a perenidade do próprio riacho, irrigar as áreas aluvionares a jusante da barragem e reforçar a disponibilidade de água para o Projeto de Irrigação Várzea do Boi. A área da bacia hidrográfica do riacho Favelas no local da barragem abrange aproximadamente 678 km².

O lago formado pela barragem possui uma área de cerca de 645 hectares na cota da crista do vertedouro e um volume represado de aproximadamente 30,1 milhões de metros cúbicos. A vazão média regularizada é de 1,0 metro cúbico por segundo, com uma permanência de 75%. Estudos pluviométricos detalhados foram realizados em níveis mensais e anuais para avaliar a precipitação média na bacia. A construção da barragem teve início em fevereiro de 1987 e foi concluída em janeiro de 1988, sendo realizada pela Construtora TRATF=X S.A.

Açude Brocó

O açude Brôco foi construído em 1949, integrante da Bacia do Alto Jaguaribe, construído para ser reservatório responsável pelo abastecimento do município, tendo capacidade para acumular 17,5 milhões de m³ de água e atualmente apresenta o volume de 3.929.000 (Três milhões e novecentos e vinte e nove mil metros cúbicos), o que representa 22,45% de sua capacidade total.

Açude Várzea do Boi

O açude Várzea do Boi foi construído no rio Carrapateiras através de projeto do DNOCS para abastecer e irrigar as terras do Perímetro Irrigado Várzea do Boi, concluído no ano de 1954. Porém, desde o ano de 1983, o açude não apresenta o volume d’água suficiente para atender a essas necessidades. Atualmente, seu volume não ocupa nem um terço de sua capacidade total de 51 milhões de metros cúbicos de água.

Serrote Quinamuiú

O município de Tauá é caracterizado por uma paisagem que se destaca pelos morros, serrotes e serras presentes em seu relevo. Notavelmente, o Serrote Quinamuiú, situado a oeste da cidade, é um elemento icônico dessa região. Este serrote foi designado como uma Área de Preservação Ambiental (APA) pelo governo federal, com o intuito de proteger o ambiente natural. A Lei Orgânica do Município de Tauá, especificamente no artigo 188, estabeleceu o Parque Ecológico Quinamuiú, visando a preservação desse local e impedindo a exploração descontrolada de recursos como a ametista, além de coibir práticas prejudiciais como desmatamento ilegal e queimadas, que ameaçavam a fauna e a flora. O serrote Quinamuiú é amplamente considerado o “cartão postal” da cidade de Tauá, atraindo visitantes para admirar sua beleza, fazer orações, estudos e pesquisas, embora subir o serrote seja um desafio para muitos.